Este espaço virtual foi criado com o intuito de compartilhar experiências vividas em sala de aula
(nas disciplinas Língua Portuguesa, Língua Inglesa e Literatura), bem como sua utilização como mais uma ferramenta
para o ensino-aprendizagem de modo a tornar o processo educacional mais instigante e desafiador para
o aluno dessa geração tecnológica.


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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Ainda na 2ª avaliação

Estas são questões retiradas de um texte, do qual selecionei duas questões simples para comentar aqui neste espaço.
Vejam o resultado "inesperado" depois da aplicação desta prova em uma turma de concluintes do ensino médio!!!


COMANDO: Indique os sentidos possíveis das palavras em destaque:

Aqui a saída (da escola) é que vai ficar difícil para esta aluno. Alguém saberia me explicar o que o indivíduo pretendia dizer na resposta da frase "b"? Como seria usar sapato preto misturado com o branco? Usar um sapato de duas cores ou um pé de cada cor, talvez! Fiquei em dúvida diante da colocação.

Pelo jeito este aluno está sem saída mesmo! Não sabe nem a diferença entre o "difícil" e o "demorado"!!! Sem contar que ele disse a mesma coisa (em duas versões). O comando pedia sentidos possíveis (portanto, duas ou mais possibilidades de se entender o enunciado) e não a retextualização da primeira resposta.

Será que o comando não estava claro o suficiente?

Nesta outra questão, foi solicitado que os alunos comparassem 3 frases e depois respondessem aos questionamentos feitos.

FRASES:

O trem-de-ferro atravessou a rua, enquanto os carros esperavam.

O trem-de-ferro atravessa a noite, a madrugada, o dia.

O trem-de-ferro atravessou a minha vida, / virou só sentimento.

Um dos questionamentos foi:

COMANDO: Em qual delas (das 3 frases acima mencionadas) o verbo atravessar ganha um sentido figurado, completamente do sentido comum do dicionário (que é transpor, passar para o outro lado)? O que essa palavra passa a significar, então?

Vejam o resultado!

Bom! Eu não entendi até agora. Mas é óbvio que o sentido figurado é uma variação (de uso da palavra) do sentido comum. Essa questão simplesmente não foi respondida.


Pois é, né? Trabalho escravo ainda existe. Acreditem!. Até mesmo nas estradas de ferro. Coitadinho do trem (só ele não tem direito a descanso)!!! Isso é um belo exemplo de "prosopopeia", já que o assunto aqui era "Figuras de Linguagem".


O condutor aqui devia ser o "Coelho Branco", personagem de "O Mágico de Oz". Aquele que vive correndo, está sempre olhando para o relógio e sempre reclamando que está atrasado! Por isso não pode parar nunca. Rsrsrs.


Depois comento as possibilidades de respostas quando postar o gabarito do teste.

Agradeço se entrarem no blog e deixarem um comentário.

Até breve!

Difícil, hein!!!

Essas são as primeiras pérolas que recolhi durante o período da segunda avaliação. Não gostaria que fosse assim, mas já que precisamos aprender com os erros, vamos começar pela análise dos atentados à língua escrita cometidos por nossos queridos alunos.
Ah! Todas as "aberrações" que porventura aparecerem por aqui são verídicas, porém, por questão de ética não serão revelados os nomes dos autores e as turmas ou as escolas onde tais "fenômenos" aconteceram.
Vamos às pérolas:

Estes fragmentos abaixo fazem parte de um mesmo trabalho:

Hummmm! Difícil é saber por onde começar!
Além do problema com a ortografia de "publicado", podemos verificar a falta de acentuação no verbo (é), uso de letra minúscula em início de substantivo próprio (Isto é - nome da revista) além de um grave problema de coesão textual (com o uso inadequado do pronome cujo, que só deve ser usado para indicar posse).
O trecho reescrito de maneira mais adequada ficaria: O texto foi publicado na revista "Isto é", que é bastante popular entre os leitores.
Eu ainda eliminaria a generalização:
O texto foi publicado na revista "Isto é", que é bastante popular para a maioria dos leitores. (Melhor assim, não é?)


Aqui o problema ultrapassa os limites da ortografia e alcança o nível sintático. Primeiro, a palavra cada, pede concordância com o singular (cidadão) a não ser que estivesse na expressão "cada um dos". A sequência depois do primeiro ponto é uma alternância indiscriminada entre singular e plural. Vamos corrigir a concordância: O autor argumenta com informações mostradas na mídia nos dias de hoje. Aproveitem para observar a ortografia correta da palavra destacada (em azul) no trecho. A propósito, o plural de cidadão = cidadãos.

Ou seja, o texto do artigo se dirige aos cidadãos brasileiros mas não traz nenhuma novidade. O autor de tal resposta só esqueceu que, em se tratando de política (que era o assunto do artigo), o brasileiro tem memória curta.

O destaque (merecido) aqui é para a partição da palavra "abordado". Se fica melhor com bordado ou sem bordado, o fato é que com as florezinhas a imagem ficou mais simpática. Ironias à parte, não vou nem corrigir esta sequência porque ela me parece sem sentido, pois, faltou uma explicação melhor para o fato de algo que é ultrapassado ser ótimo e abordado na atualidade. O caso aqui é um problema de semântica. Este trecho teria de ser totalmente reescrito para fazer sentido.

Hum?! Alguém entendeu???


Acho que esse foi o caso que envolveu a autoria deste trabalho. A afirmação resumiu bem o "afinco" com que a equipe trabalhou.
É isso mesmo. O trabalho foi feito em equipe!!!
Sem mais comentários e até a próxima postagem!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Novo marcador: Pérolas da Rô

(ilustração do blog http://tudopalhaco.blogspot.com/)

Olá, queridos alunos!
Estava no planejamento do meu blog, desde o início de sua criação, uma sessão que seria dedicada às pérolas da língua portuguesa (falada ou escrita) que eu fosse encontrando pelo meio do caminho (em sala de aula ou fora dela).
O fato é que tal sessão ainda não tinha sido aberta por uma série de problemas: primeiro fiquei sem internet por algum tempo, depois me atrasei na correção dos trabalhos dos meus alunos do curso de Mídias na Educação, depois tive que viajar para resolver alguns probleminhas particulares etc.
Mas agora, não resisti e resolvi iniciar este novo marcador a partir de um comentário que li no blog http://tudopalhaco.blogspot.com/ a respeito de uma crítica ao mau comportamento masculino e da classificação do elemento como "palhaço pavão" (fico contente por essa primeira "palhaçada" não ter vindo de um dos meus alunos).
Leiam agora a "pérola" em questão:

Blogger Anônimo disse...

E vc artistas circenses que se acham donas do picadeiro, já pensaram que as vezes o palhaço está fazendo vcs de palhaças, e que quando escutam certas estupideces ou exigencias insanas que vcs soltam, preferem cair fora e ir para outro circo menos cheio de frescuras? Pensem nisso e veremos se tem coragem de publicar o comentario

(destaque meu)
A primeira reação das leitoras do blog aconteceu em relação ao "estupideces". Nossa! quanta criatividade para se flexionar uma palavra em número! Duvido até que esse indivíduo saiba que o singular se escreve com "ez" (deve no mínimo pensar que é com "ês").
Vamos recordar uma regrinha?
O plural das palavras terminadas em "r" e "z" se faz acrescentando-se ao final das palavras a terminação "es".
Então:
mar = mares , bar = bares, revólver = revólveres, abajur = abajures
capuz = capuzes, avidez = avidezes, gravidez = gravidezes, estupidez = estupidezes
Isso sem contar com o "esquecimento" da acentuação. Será que o cavalheiro acha que a reforma aboliu toda a acentuação gráfica das palavras em língua portuguesa?
"Às" vezes, "exigências", "têm" (plural de tem) e "comentário" continuam com o acento.

Mas não vamos fazer como as criancinhas, quando estão internalizando a gramática da língua, e sair aplicando a regra a qualquer palavra!
Talvez o indivíduo anônimo supracitado fosse capaz de se justificar perante a regra e dizer que o plural de "fez" é "fezes". KKKKKKKK
A flexão de tempo/modo, número/pessoa verbais obedecem a regras específicas dessa categoria gramatical.
Outro dia nos depararemos com algumas delas por aqui.

Ah! Não pensem que deixei o comentário infeliz sem resposta. Vejam o que escrevi no blog HTP:

Blogger Rosália disse...

Não resisti e voltei só pra comentar o infeliz comentário de um tal de anônimo (que nem tem coragem de se identificar porque na certa tem consciência das besteiras que diz). Primeiro, queria mostrar minha indignação (como a das outras leitoras) quanto ao "estupideces" - Que diabo é isso? Rsrs. Se algum palhaço candidato a namorado me dissesse uma coisa dessas, eu certamente lhe daria as costas e não ouviria mais nada. Mas o que me deixou mais indignada foi a colocação extremamente vulgar, de mau gosto, cafajeste, machista (e outros adjetivos que sou incapaz de escrever aqui porque sou pudica)de que diante das "exigências insanas" das mulheres, eles (os palhaços) preferem cair fora e procurar outro circo "menos cheio de frescuras". Caro anônimo, o que vc chama de exigência insana e frescura, eu chamo de seletividade (porque mulher decente não cai na lábia de qualquer vagabundo metido a gostosão). Ah! Também o aconselho a quando for postar um comentário para ser publicado, tenha sempre ao lado um dicionário e uma gramática (acho que vc andou faltando às aulas de acentuação, principalmente). Tantos atentados à língua escrita assim em um texto tão pequeno causa má impressão. Acho até que vc ficou indignado porque deve se achar um palhaço pavão, mas afirmo com toda certeza de que o bicho é outro (BURRO). E vê se tem ao menos a coragem de se identificar da próxima vez!!!

P.S.: Quero deixar bem claro que minha revolta nem foi pelos atentados à língua cometidos por este indivíduo (isso só serviu de argumento para validar meu discurso), mas pelo conteúdo do comentário estúpido!!! (e desta vez, sem "-ez" e sem "-eces").

Até a próxima!